Flashback. Chuva, serra, perto das 4h
Eu: A chuva deixa-me alegre. Simples, atrevo-me a dizer. É estranho ver que num ano inteiro, tudo volta ao ponto de partida. Não consigo perceber o que me atraía a estar naquela espiral de emoções, em todo aquele faz de tudo para te esqueceres do passado e concentrares-te na tua vida. Depois de tanto ter insistido em te procurar, passei a sentir-te cada vez mais perto, como uma pequena sombra. Sei que também já te tinha sentido, uns anos atrás e consegui afastar-te, mas reparei que te tinha aqui ao lado, mais perto do que pensado.
Há um ano atrás, estava com cabelo curto, estava num trabalho que me ia afogando mental e psicologicamente, dedicava-me com afinco a escalada, trabalhava pelo grupo, dormia na serra dia sim dia não.
Hoje? Hoje estou na mesma. Nada mudou. Mas houve coisas no meio... Sim, muitas coisas. Muitas coisas boas e coisas más. Não há luz sem sombra. Mas não há sombra sem luz também. Possivelmente aquilo que eu mais quereria, era dizer que a minha vida teve uma viragem e não estaria na mesma. Bem, na realidade não estou na mesma, mas estou na mesma. É apenas uma questão de dias agora até mudar de vez. Finalmente. Não consigo perceber quando me dizem: morar sozinho? Na, és doido/Ui rapaz, tu tem cuidado com isso/Vais ter muito em que pensar agora/etc etc.
Really? Não percebo... Talvez seja por sempre pensar nas coisas de uma maneira tranquila e sem stressar, apesar de stressar na mesma, basta porem-me em situações que me dão a volta ao miolo.
Ponto prático: Não sei. Perco-me a tentar compreender porque as coisas têm o desfecho que têm. Mas compreendo também que para algo poder começar, tem que se fechar o resto, é preciso fechar portas para abrir janelas, ou vice versa, que se lixe. A rapariga que desapareceu vai aparecer no dia em que tudo for acabar.
Tudo se resume em poucas palavras: Serra, Escalada, 93, Música. Tudo o resto, acaba por ser pontos extras, e coisas boas e más que se vão juntando. Vai um brinde?
Não, ainda é demasiado cedo para brindar. Talvez brinde à morte. Ela ao menos é certa e vem ter comigo sempre que eu pedir ou mesmo que não peça, lá vem ela, dizer-me olá. Ela. Eh. Até pode ser um ele. O morte. Não soa bem. Ela vai ser a minha morte. Assim tem outro ar. Tem outra energia. Outra dor e drama e terror. O meu oposto vai ser a minha destruição. O meu oposto vai ser a minha desgraça.
Vem então.
Mas sê gentil. Não te peço mais.
Vem de encontro ao que prometes e me prometeste antes.
Mas sê bruta. Não me poupes.
Deixa-me apenas conhecê-la primeiro. Deixa-me apenas senti-la primeiro. E depois sim, vem e leva tudo.
Mas deixa-me na neve. Na chuva
Desejo conhecer-te. Perceber que nada disto foi em vão e foi desgraçado.
Ah... A doce dor de saber que estás aí mas não te posso tocar.
A doce sensação de saber que andas por aí mas não te vejo nem conheço.
A dor de ter e perder.
Foda-se.
Amanhã trabalho
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