quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Destruido para além de salvação







- Olá!!!!
-Oi oi
-Há tanto tempo, como estás?
-Tenho um pedaço do meu corpo despedaçado e trucidado. Encontro-me numa encruzilhada da minha vida, na qual por onde quer que saía vou sair com menos bocados de mim e mais bocados de outros. Estou bem, vivo. E tu?
- Também, também. Tanto tempo! Que tens feito?
- Tanta coisa. Estive no acesso mais intemporal de felicidade e arrancaram-me dele como uma mosca a ser afastada da merda. Subi por montanhas e nelas encontrei apenas a vontade ter ido mais além e de ter ficado longe delas.Encontrei uma vontade de continuar num sítio para no final, a perder, e me sentir perdido, eterna e completamente perdido, nesta pequena existência a que chamo e chamarei de triste vida. Nada de mais, trabalhar, escalar. E tu?
- Ai, tanta coisa (texto omitido por espaçamento mental do narrador)
- Ah boa boa. Enquanto te andaste por aí a divertir-te, eu andei a sofrer. A reprimir pequenos acessos de raiva que me deste, a tentar curar, arranjar, consertar o pequeno pedaço no qual tu me deixaste enfiado. Mas sabes que mais? Ainda bem. Ainda bem que me deixaste assim, broken bruised, forgotten sored. Deste-me a provar o trago amargo da dor de perder e talvez assim o que me veio depois de ti, não tenha doído tanto. Mas talvez me tenha doído um pouco mais. Estranhas, são as linhas pelas quais uma pessoa se escreve na vida, mas mais estranhas são as resultantes do que escreves.
- Temos de combinar um café, que tal?
-Para quê? Me relembrares das dores, das noites em claro a pensar no que se poderia ter feito, ou realizado, ou criado em uníssono? Para me tentares partir o coração de novo? Para me destruíres o pouco de calma e sanidade mental que eu consegui criar e tenho usado para me proteger daquilo que me tiraste e deste? Da inocência que me roubaste como alguém que desliga a ficha deum doente em coma? Que te fodas, puta. Claro! Diz-me alguma coisa quando quiseres.
- Combinado! Vá tenho de ir, beijinhos e bom trabalho!
- Broken bruised, forgotten sore, you didn't hurt, nothing can hurt hurt me, nothing can stop me now. Txau inês!

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