Eventualmente.
Gosto desta palavra. Tem um som, ressonância que se aplica constantemente a minha vida. Sim claro, a eventualidade é uma constante da vida, regra geral, mas forçosamente, sou obrigado a voltar-me para aqui.
Tal como o porco-espinho acaba por dar voltas e mais voltas pelos buracos, eu acabarei sempre por chegar a este pequeno reduto do meu ser, no qual me deito no chão e me deixo ficar, prostrado, rendido às evidências da minha feliz infelicidade.
O que me faz escrever? Não sei. Talvez muita coisa, emoção que tenho vindo a guardar dentro de mim, seja o que me fez voltar aqui.
A mesma pessoa que me perguntou ao inicio por nós, perguntou hoje de novo. Gostaria de ter respondido o mesmo, mas tudo mudou. Algo, nestes últimos meses, mudou radicalmente, sinto-me zangado. Irritado. Genuinamente zangado. Sinto uma revolta dentro de mim. Saber o que poderia ter sido e o que não foi, ter de admitir que tenho receio do que te virá a acontecer nesta vida, compreender o real poder do karma, entender que a minha missão é real e tenho o triste facto de que neste momento és (mas podes não o ser) mais um falhanço total da minha parte, sentir que no fim de contas toda a gente se vai embora (everybody goes away in the end).
És tão parecida, mas tão com ela... Desde a infância, a desconfiança, a tatuagem... Algures na tua vida, assimilaste esta maneira de ser, e toda a gente que gosta de ti (família, colegas, amigos, eu) queremos que tu saias desse pequeno grande casulo que construíste e ultrapasses os teus problemas. Duvido que leias isto, sinceramente. Se calhar lerás, e te sintas irritada, mas verás que é verdade. Eu errei, tu erraste, nós erramos, nós aprendemos. Simples.
Tenho um pouco de ódio em mim por tua casa... Minto, já o tinha. Todo o ódio com o qual tenho vivido a minha vida mas tenho conseguido empurrar para o lado, tenho conseguido por em segundo plano. De repente, cá está ele de novo. Veio ao de cima. Tudo isto re-apareceu. Hoje estou triste. Amanhã estarei triste. O que me entristece mesmo, é saber que, na, isso já foi no passado marinho...
Foca-te minha besta estúpida.
Concentra-te e deixa. Todos temos o nosso caminho, por mais curvas ou buracos que ele tenha. É por aí que vamos ter de seguir, que vamos ter de continuar, e por mais que te esforces, quando cair tudo, o máximo que poderás dizer é, eu estava aqui... eu estou aqui.
Uma pausa para reflexão. Consigo perceber em parte o contexto em que me encontro, toda esta situação em que me encontro e encontrarei futuramente. Vejo-me numa casa. Via-me na tua, mas agora vejo-me na minha futura, a ter o meu pequeno e pulsante espaço. Vibrante, talvez. Vejo também várias coisas a acontecerem no meu futuro: perder-me de vez na escalada e sair de lá morto, perder-me de vez na música e esquecer-me quem sou, perder-me na minha cabeça e continuar em descente espiral, vejo a encontrar o meu caminho final, pensar talvez que as coisas venham a correr bem e consiga a felicidade que procuro, juntamente com tudo o resto. Se alguma vez desejei o bem a alguém, é a ti. A tua felicidade, se eu poder contribuir para ela, farei tudo o que estiver ao meu alcance.
Why, oh why, did the cat die.
My oh my, i have to strive forward.
Forward. Yes, forward.
Eventually, someday...
We will both be happy.
I will be happy
You will be happy
But right now, you have to sort out your entire life and decide to make the change. For you. For those who care about you. Heck, even for me
Sente a corda no pescoço
Longa e dura
Impossível é largá-la
Chegaste ao fim
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